

Durante esse mais de um ano de pandemia, temos colhido lições importantes do nosso fazer psicológico.
Em março de 2020, criamos uma força tarefa para o cuidado emocional às vítimas da Covid-19 e profissionais da linha de frente com o Projeto Conexão Afetiva, tendo realizado mais de 2 mil atendimentos até fevereiro de 2021. Olha só, estivemos, durante mais de 1 ano, sentados no camarote quando o assunto é impactos na saúde mental e facilitação terapêutica.
Podemos dizer que vivemos num cenário de desastre. Contexto de caos, Disruptivo, marcado por desespero e desamparo, no qual os mais vulneráveis se debatem. É inevitável o encontro com a imprevisibilidade, a incerteza, o desalojamento das pessoas em sofrimentos, bem como do próprio profissional que está oferecendo ajuda.
Viver e cuidar no desastre é estar exposto a altos níveis de adversidade e risco. Este cenário extremo não se constitui como pano de fundo, mas sim como o ponto de partida de onde deve ser estruturada a ação. O contexto é o impulsionador da nossa prática, precisamos sempre nos lembrar disso. Porque atuar na pandemia é um somatório de riscos prováveis e inesperados. Trata-se de sobreviver em um território perpassado por uma trama de fios lesivos. Acolhemos o caos, a incerteza, a morte e mesmo assim produzimos cuidado.
Esperar o inesperado, ancorar a intensidade e ser ancorado. Essa frase, resume o que vivemos desde o início da pandemia. Esses são os elos que unem a nossa atuação nos extremos.

